“Isso, vai lá. Vai lá se apegar a quem vai te decepcionar. Esconder os sentimentos que você mais precisa expressar, mentir dizendo que está tudo bem, sorrir querendo gritar. Passar noites pensando no que tem de errado em sua vida, e porquê você nunca está feliz. Vai lá tentar explicar o por quê de tanta tristeza e ouvir que é drama. Cultivar essa dor que é tudo o que você tem. Se machucar com as coisas mais pequenas, e isso acabar com o seu dia. Tentar ficar alegre, e ouvir que é louca. Esquecer os problemas, e vir um filho da mãe e te lembrar de todos eles. Tentar fugir e voltar por esperança, que todo dia acaba um pouco mais. Vai garota, vai sofrer, vai passar noites e dias chorando. Vai se machucar, dizer para si mesma que é uma pessoa horrível. Vai pagar todas as dores que você já causou. Vai tentar achar uma resposta ou uma saída e não achar nada. Ficar sozinha, sem amor, carinho, sem nada. Não era você que achava que ia conseguir? Então, cadê a garota forte agora? Cadê? Você deixou ela aí dentro e saiu por aí fingindo que nada machucava? E seus sonhos? Trancou eles aí dentro também? Vai desistir? Vai mandar seu futuro para o ar? E esse rosto? Cada vez mais abatido. E esses olhos inchados? Foram tantas noites chorando. E esses lábios… Cadê o sorriso que costumava ter aí? Vai tentar esconder as marcas que o tempo deixou no seu rosto, já que o coração ninguém vê? Vai lá procurar por coisas boas, e só achar saudade. Sair de casa querendo trombar em algo surpreendente, e só tropeçar em lixo e poeira. Vai lá acordar cada vez pior, se iludir com um filme, uma música, qualquer coisa. Se isolar ainda mais, pular refeições, e evitar as pessoas. Vai lá se importar com coisas banais, mas que te deixam feridas enormes. E vai lá cutucar as cicatrizes das feridas velhas. Vai lá fazer tudo errado, de novo.”
“Ela é feito lua, ora cheia, ora minguante, às vezes crescente mas sempre nova. Cheia de fases e roupagens diferentes, pode ser que desapareça mas sempre surge novamente. É sonho da noite, é luz na escuridão, transitória e flexível mas sempre cheia de reflexão.”
Me desculpe, mamãe. Me desculpe por não ser o seu orgulho, ou por não ser o melhor dos seus filhos. Me desculpe por todas as vezes que fui grossa, mesmo sem ser a minha intenção.
Me desculpe por todas as vezes que te fiz chorar ou perder noites de sonos por minha causa, me desculpe por ser tão problemática. Desculpe-me por dar-lhe dores de cabeça.
Apenas me desculpe, mãe, por não ter sido o suficiente para você. Por não ter sido o suficiente para mim mesma, por não ter suportado os tapas da vida, por ser tão fraca e chorona.
Mas por fim, peço perdão pelas lágrimas que fiz você derrubar sobre o meu caixão.